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Análise: Enquanto TCU contesta o BC, como fica a fraude no Master?Ao avançar por esse caminho, o TCU expõe não apenas um desejo de intervir no que está fora de seu alcance institucional, mas também r

Análise: Enquanto TCU contesta o BC, como fica a fraude no Master?

Ao avançar por esse caminho, o TCU expõe não apenas um desejo de intervir no que está fora de seu alcance institucional, mas também revela um vazio de coordenação do Estado

A escalada de tensão entre o Tribunal de Contas da União e o Banco Central no caso do Banco Master levanta uma pergunta incômoda: enquanto TCU disputa força institucional com BC e questiona suas ações, como ficam as fraudes associadas ao banco?

Elas não são, ou deveriam ser a prioridade?

Com despacho desta segunda-feira (05), determinando inspeção profunda do processo do Master dentro do BC, a ameaça de uma medida cautelar aventada pelo relator Jhonatan de Jesus não tem como objetivo reverter a liquidação do Banco Master.

O banco acabou.

O que está em jogo é evitar “atos irreversíveis” durante a liquidação, ou seja, a venda de ativos e bens de Daniel Vorcaro.

A cautelar, se acionada, soaria como tentativa de impedir que esse patrimônio desapareça antes da conclusão das apurações.

Num dos encaminhamentos feitos ao Ministério Público com os indícios de fraude, o BC pediu o congelamento de R$ 11,5 bilhões encontrados nas operações com fundos da Reag Investimentos.

A decisão ainda não foi tomada porque o caso foi para o STF, sob total sigilo, a mando do ministro Dias Toffoli.

O problema é que esse papel, de preservar patrimônio privado, não é do TCU.

O tribunal atua quando há mau uso de recursos públicos da União, como o próprio nome diz. Já o enfrentamento direto à fraude, o bloqueio de bens e a responsabilização criminal cabem à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Judiciário.

Ao avançar por esse caminho, o TCU expõe não apenas um desejo de intervir no que está fora de seu alcance institucional, mas também revela um vazio de coordenação do Estado diante de um caso com tamanho impacto.

O foco deste embate se deslocou rapidamente para o campo político desde a liquidação do banco em novembro.

Neste último episódio, o relator no TCU ameaça adotar medida cautelar, o presidente da Corte sai em defesa da competência do tribunal, e o Banco Central passa a ser pressionado por decisões técnicas tomadas em um ambiente de risco sistêmico. Nesse movimento, o debate sobre responsabilidades pelos crimes financeiros perde centralidade.


O risco, no fim, é que o caso Master termine marcado mais pelo conflito entre órgãos e o poder político em Brasília, do que por uma resposta clara e eficaz às fraudes que atingiram investidores e o sistema financeiro.

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