Cerca de 3 milhões de pessoas, mais da metade da população adulta do país, ficaram sem acesso ao próprio dinheiro. Uma fraude contábil promovida pelo grupo que administra o banco digital Ueno escancar

Cerca de 3 milhões de pessoas, mais da metade da população adulta do país, ficaram
sem acesso ao próprio dinheiro.
Uma fraude contábil promovida pelo grupo que administra o banco digital Ueno escancarou uma crise financeira sem precedentes no Paraguai.
Nos últimos dias, milhares de manifestantes foram às ruas para exigir a devolução de seus recursos e o impeachment do presidente Santiago Peña – ele autorizou que o Ueno administrasse milhões de dólares em recursos da Previdência e do Ministério da Saúde e foi, até março de 2025, sócio do grupo controlador do banco.
Diante da pressão popular e sem apoio de sua base política, Peña renunciou na tarde desta quinta-feira (5).
O Congresso paraguaio, no entanto, não aprovou a renúncia do presidente e iniciou o processo de impeachment.
Paraguai: o escândalo financeiro que deixou o país sem comando
O Assunto
Milhares de manifestantes foram às ruas para exigir a devolução do dinheiro retido pelo banco Ueno e o impeachment do presidente Santiago Peña. Nesta quinta (5), ele renunciou.
A decisão ocorre após a Câmara de Deputados aprovar a remoção do chefe de Estado, que é acusado de irregularidades ligadas ao Ueno Bank, uma instituição que fechou as portas e afetou milhões de cidadãos.
A audiência está marcada para às 10h (horário de Brasília) e deve contar com a presença de Peña, ou um representante da Defesa, para que se defenda das acusações.

Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
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